sábado, 12 de março de 2011

TEXTUALIDADE

SANTOS, Clemilton Pereira dos

Nas produções de textos, não desvalorizando o aspecto gramatical, de concordância, regência e ortografia, para que um texto seja considerado como um bom texto é necessário que atenda a alguns critérios: a unidade temática, a objetividade, a concretude, e o questionamento, segundo Guedes (1998).
A primeira: qualidade discursiva da unidade temática refere-se a disposição de propor um diálogo acerca de um assunto específico
2 tratar de apenas uma questão, conforme Conceição 2000.Essa qualidade discursiva, numa outra terminologia, seria a responsável pela coesão e pela coerência4, pois segundo a pesquisadora, a textualidade passa pela continuidade, a qual tem a ver com sua unidade, já que o que torna um texto como um todo único é a permanência em seu desenvolvimento, de elementos constantes.
A Segunda qualidade é a objetividade, a qual corresponde à apresentação de todos os dados necessários, no intuito de que o leitor sane dúvidas e vá construindo os sentidos previstos. Isso, relacionando com ( COSTA VAL 1994), corresponderia ao aspecto da progressão, e da informatividade. A relação com a primeira ( progressão) se dá pelo fato de que o produtor do texto ao “acrescentar novos comentários a um mesmo tópico, esses devem favorecer a compreensão, deixando claras para o leitor suas intenções. Já com a segunda ( informatividade) mencionamos que a objetividade a engloba devido a alternância de informações “novas”com as “velhas”, apresentando informações que acharmos pertinentes e necessárias à compreensão ( COSTA VAL, 1994, p.14)
A qualidade discursiva concretude, conforme ( GUEDES 1998) refere-se a especificidade dos fatos, objetos ou personagens mostrando tudo por meio de relatos, fatos, ações, exemplos. Deve-se oferecer ao leitor elementos concretos a fim de que o mesmo tenha um referente real das idéias do produtor textual. “Não basta dizer, é preciso mostrar”( GUEDES, 1998), ou conforme (COSTA VAL, 1994, p.25),

“O mundo textual deve ser compatível com o mundo real, não pode deixar de considerar algumas pressuposições básicas que integram a maneira comum de pensar esse mundo: as causas têm seus efeitos, os objetos têm identidade, peso e massa...”

O que permite uma alusão à relação com a metarregra da não- contradição, apresentada por ( CHAROLLES , 1994). Ressalte-se que para Guedes, não basta não contradizer, é preciso permitir que o leitor construa essa não contradição através de fatos.
Finalmente, outra qualidade discursiva apresentada por Guedes é o questionamento, o qual postula que, “ só faz sentido escrever acerca de alguma coisa que não está clara em nossa cabeça”- “um problema que afeta, incomoda ou agrada o leitor” ( CONCEIÇÃO, 2000, p.113). pode-se dizer que isso tem relação com o que ( COSTA VAL , 1994) apresenta como situacionalidade: qualidade responsável pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre, ou, em conformidade com ( GUEDES , 1998), reflete a visão que o produtor do texto tem do seu leitor, partilhando com ele, instigando-o a fim de que coopere com seus objetivos.

*.Publicado no VI Semana de letras “ Signos em Rotação” de 04 a 08 Outubro de 2004.
2.Cf.Guedes,1998
4.Cf.Charroles in Costa Val (1994)

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